segunda-feira, 23 de junho de 2008

Começa 4o Módulo do Curso de Aperfeiçoamento em Audiovisual

Ao longo desta semana, o município de Rondon do Pará recebe o 4º módulo do curso de Capacitação e Aperfeiçoamento em Audiovisual, realizado pelo Ponto de Cultura ComVida em parceria com o Instituto de Artes do Pará - IAP. As aulas, que seguem até o próximo dia 28, serão ministradas pelo fotógrafo e produtor audiovisual André Mardock, na Comvida. O curso é mais uma ação voltada para produtores culturais, artistas e técnicos do interior do Estado e integra o Programa Arte Integrada, do Governo do Estado, que realiza esta ação no Ponto de Cultura, em parceria com o Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura.

Desde o 1º Módulo o Ponto de Cultura ComVida selecionou para serem capacitados jovens dos Municípios de Rondon do Pará, Dom Elizeu e Abel Figueiredo, com o propósito de, ao final do curso, instalar um Núcleo de Produção Audiovisual da BR-222, com foco nas demandas da sociedade civil e no fortalecimento e disseminação da cultura regional.

Alberto Bitar, da Gerência de Artes Visuais do IAP, explica que nos módulos anteriores os participantes elaboraram um roteiro e produziram as imagens de um vídeo. Agora o momento é de edição e finalização. André Mardock diz que o tema do vídeo será sobre o impacto das mudanças climáticas globais na comunidade local, decorrente da exploração da madeira, um problema comum na região sul-sudeste do Estado do Pará.

Mardock acrescenta que o objetivo do curso é dar aos alunos uma noção do trabalho audiovisual, desde as saídas para captura do material até a construção do produto final na ilha de edição. O modulo 4 tem carga horária de 30 horas.

terça-feira, 3 de junho de 2008

PROJETO RÁDIO-WEB

COMVIDA e GESAC realizam oficina de produção de conteúdos para rádio livre, dias 16 a 20 de junho em Rondon do Pará.


Justificativa:

No Pará, a maioria de pontos de presença do GESAC encontram-se na rede pública de ensino e em Pontos de Cultura. Esses pontos vêm sendo visitados pelos implementadores sociais do programa no Estado. A metodologia de trabalho adotada para o atendimento dessas comunidades tem sido a realização de uma visita inicial para diagnosticar a situação do Ponto de Presença, para em seguida realizar oficinas regionais sobre os serviços do GESAC e o uso de Software Livre, discutindo a filosofia e trabalhando os aplicativos livres. Nosso objetivo é dinamizar a utilização dessas ferramentas buscando repensar as práticas pedagógicas, contribuindo para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem e a construção de projetos inovadores capazes de favorecer um intercâmbio cultural com as comunidades envolvidas.

A integração entre os campos Educação x Comunicação x Cultura não é mais uma novidade. Surgida de demandas de ambos os campos esse diálogo se tornou uma necessidade atualmente. A educação busca novas maneiras de se comunicar, enxerga a falha do livro em razão das mídias atuais e o da educação formal rígida em métodos que não dialogam com a realidade atual e se propõe como instrumento para expressão e transformação cultural da comunidade.

A apropriação dos meios objetiva promover uma educação crítica para mídia através da produção de conteúdo a partir da utilização de conhecimentos teóricos e técnicos. A idéia é que ao fazer um programa de rádio, por exemplo, os indivíduos entrem em contato com a linguagem do meio, pois conhecendo e se apropriando do processo de produção potencializa-se a capacidade de análise daquele meio.

Uma oficina de produção de conteúdos deverá fortalecer a organização da rádio, que veicule músicas e algumas informações através de uma rádio-web. Com esta atividade, novas informações e técnicas para produção de programas e organização da programação, e sobre legislação e história do rádio, serão incorporadas à atuação da escola e Ponto de Cultura que tem interesse em novas tecnologias da educação.

Objetivo Geral:

- Fortalecer a utilização do rádio-web como ferramenta de comunicação dentro do tema Tecnologias da Educação, através de uma oficina de produção de conteúdos radiofônicos.

Objetivos Específicos:

- Exercitar a produção de vinhetas e edição de áudio para conteúdos radiofônicos;

- Conhecer e discutir diversos formatos de programas radio-jornalísticos e métodos para organização de uma programação;


- Debater formas de divulgação da rádio e mobilização para o envolvimento da comunidade na produção de conteúdos e manutenção do veículo;


- Debater a propriedade intelectual e o licenciamento de conteúdos;


- Conhecer e debater a história do rádio e do movimento de rádios livres.



Público-alvo:


Jovens engajados no Ponto de Cultura COMVIDA e organizações sociais locais.

Local:

COMVIDA Ponto de Cultura
Rua Gonçalves Dias, 762 - Centro - Rondon do Pará - Fone: (94) 3326 1242


Período:

16 a 20 de junho de 2008


Metodologia:

Os conteúdos propostos deverão ser contemplados através de experiências práticas, debates e distribuição de material.

Em um ambiente de oficinas, serão conhecidos os diversos tipos de programas e peças jornalísticas para rádio. A intenção é produzir conteúdos e trabalha-los em diversos modelos e formatos, a partir da vontade e da intenção dos participantes e oficineiros. Uma sugestão é organizar peças de áudio que registrem um pouco da história dos moradores do bairro, seus hábitos, suas paixões, a vocação dos artistas e suas raízes.

A idéia é ter duas turmas: uma focando nos conhecimentos e uso de softwares de captura e edição para produção de conteúdos, fazendo com que os participantes conheçam um pouco das técnicas, rotinas e especificidades da produção de conteúdos pra radio, reconhecendo e entendendo as principais diferenças entre os diversos gêneros e modelos de programas.

Para isso serão realizadas atividades práticas de audição de programas produzidos por outras comunidades, realização de entrevistas em campo, no estúdio, e discussões sobre os conceitos de pertencimento, proximidade, interação dos conteúdos com a realidade de ação e intervenção da radio, envolvendo participantes, oficineiros e pessoas convidadas com reconhecida atuação no campo das rádios comunitárias.

A outra turma terá um enfoque voltado para o trabalho técnico com os computadores, outros equipamentos, técnicas de equalização e ajuste de mesa de som, e produção de diversos tipos de vinhetas, usando softwares livres de edição, sintetizadores, e programas de automação e criação de lista de programação.

Posteriormente os conhecimentos deverão ser trocados entre os dois grupos e a comunidade. A divulgação e o envolvimento da comunidade, a questão de licenciamento de conteúdos e a história do rádio e do movimento de rádios livres deverão ser trabalhados através de debates, convidando pessoas e utilizando materiais de diversas mídias, sempre que possível.

As discussões e debates deverão ser gravadas e/ou transmitidas ao vivo, possibilitando a participação de ouvintes nas atividades, e gerando conteúdos que possam ser utilizadas na grade de programação da radio. A programação de atividades proposta abaixo deverá ser reavaliada e livremente alterada no primeiro dia em conjunto por oficineiros e participantes.

É recomendado manter a data e hora proposta para a conversa sobre articulação com a comunidade, para a qual é sugerido que se convide membros de outras rádios ou entidades que as apóiam, para trocas de experiências.


Programação:

TURMA 1 - Manhã

Dia 1: apresentação e discussão da proposta de oficina com os participantes.

Dia 2: discussão sobre gêneros de programas; audição de modelos; discussão e definição de pautas.

Dia 3: produção de notícias da comunidade; entrevistas de campo.

Dia 4: entrevista coletiva com convidados, sobre divulgação e envolvimento da comunidade.

Dia 5: definição coletiva do nome do programa, locutores, programação musical, ordem de transmissão dos conteúdos produzidos.


TURMA 2 - Manhã

Dia 1: apresentação e discussão da proposta de oficina com os participantes.

Dia 2: conhecendo os aparelhos e softwares pra uso na radio e produção de vinhetas, conteúdo das vinhetas; instalação de web-radio e radio livre.

Dias 3, 4 e 5: produção de vinhetas pra radio; uso de softwares sintetizadores e de edição de áudio.


TURMA 1 - Tarde

Dia 1: debate sobre radio livre; legislação de radio; história da radio, e do movimento de rádios livres.

Dia 2: realização de entrevista entre os participantes; edição e finalização do material gravado.

Dia 3: edição e finalização das noticias produzidas gravação de offs; produção de notas e materiais informativos.

Dias 4 e 5: edição e finalização da entrevista coletiva; finalização dos materiais produzidos.


TURMA 2 - Tarde

Dia 1: debate sobre radio livre; legislação de radio; história da radio, e do movimento de rádios livres.

Dia 2: operação dos equipamentos; preparação dos microfones; usando a mesa de som.

Dia 3: produção de vinhetas.

Dia 4: finalização das vinhetas; buscando músicas na internet.

Dia 5: transmissão do(s) programa(s) via radio livre e web-radio; avaliação das atividades.


TURMAS 1 e 2: Noite

Dias 1, 2, 3, 4 e 5: Monte sua playlist.


Responsáveis:

Mariel, Marcilene, Mábio e Rafael (COMVIDA) e Perna (GESAC)

sábado, 24 de maio de 2008

POLITICA SEM TEOLOGIA É PURO NEGÓCIO

A saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente representa uma pesada perda de qualidade política do governo Lula. Por qualidade política entendo a competência do governante de manter a unidade dos contrários, contrários esses, inerentes a todo convívio social e democrático, que confere dinamismo e vida à sociedade. Marina Silva representava um pólo decisivo no governo e fundamental para uma política responsável pelo futuro da vida e da integridade do Planeta: o cuidado com o ambiente inteiro e com as condições ecológicas que garantem a vida em toda sua imensa diversidade. No outro pólo estão outros, em maior número, que perseguem um projeto, que nos remete ao século XIX, de crescimento material acelerado e a todo custo, sem considerar a mutação das consciências ocorrida no Brasil e no mundo face principalmente às perigosas transformações negativas do estado da Terra, ocasionadas, em grande parte, por aquele projeto. Missão do governante é ser um homem de síntese, capaz de articular os pólos e ter a sabedoria suficiente para decisões estratégicas, mesmo difíceis, que garantam o futuro de nossa existência neste pequeno Planeta. O atual presidente mostrou essa capacidade de síntese. Mas desta vez, parece-nos, se operou desastroso desequilíbrio. Com a ausência de Marina Silva, há o risco do pensamento único e da obsessão furiosa pelo crescimento fazendo crescer nossa dívida para com a natureza e as gerações futuras.

A ex-ministra Marina Silva mantinha tenaz coerência com a missão que se propôs de introduzir a partir de seu Ministério a transversalidade do cuidado ecológico em todas as instancias do poder, no esforço de conferir uma direção inovadora e à altura dos desafios contemporâneos ao desenvolvimento sócio-ambiental sustentável. Foi vista como obstáculo ao crescimento e como empecilho à modernização. E efetivamente era e precisava se-lo. Não é possível com tudo o que sabemos da história e da experiência recente continuar com o tipo de crescimento retrógrado que visa a acumulação à custa da devastação da natureza e do aprofundamento das desigualdades sociais. Há que se estigmatizar essa modernização conservadora e socialmente criadora de tantas vitimas no campo e nas cidades. As pressões contra a ministra vindas do interior do próprio governo e do exterior, de grupos poderosos ligados à pecuária e ao agronegócio solaparam a sustentação política e a viabilidade de seu trabalho, especialmente, com referência à preservação da floresta amazônica. Retirou-se do ministério pela porta da frente, com elevado espírito público e ético, protestando lealdade e fidelidade ao presidente.

Marina Silva era uma das reservas éticas do governo, uma referência de credibilidade para o Brasil e para o mundo. Mas ética era pouco para ela. Movia-a uma inspiração espiritual, de serviço à vida e de proteção a todo o Criado. Ela me faz lembrar a frase de um dos grandes pensadores da escola de Frankfurt que foi um rigoroso marxista e materialista: Max Horkheimer. No final de sua vida escreveu um instigante livro:"Saudade do totalmente Outro". Ai, como marxista e não como cristão, diz:"uma política, sem teologia, é puro negocio". E explicava:"teologia significa aqui, a consciência de que o mundo não é a verdade absoluta, que não é o fim; teologia é a esperança de que tudo não se acabe na injustiça que tanto marca o mundo, que a injustiça não detenha a última palavra". Estimo que Marina Silva mostrou em sua vida e prática a verdade desta sentença. Por isso todos lhe somos agradecidos e devedores.

Autor: Leonardo Boff, teólogo, escritor, professor emérito de ética da UERJ e membro da Comissão da Carta da Terra.

sábado, 17 de maio de 2008

REDE ATIVA NO AR

Os Jovens Agentes Ambientais estrearam o Programa Rede Ativa na COMVIDA FM. O programa vai ao ar todos os sábados das 15:00hs às 17:00hs. Os jovens Meire Lira, Landerson Moreira, Cláudio Brito, Gemima Vieira, Laudicélia Nascimento e Dâmares Damasceno são os produtores e apresentadores do Rede Ativa. O objetivo do programa é possibilitar aos jovens uma “experimentação” na comunicação social, nasce aí uma nova geração de comunicadores sociais em Rondon do Pará.

Os jovens escolhem a pauta do programa, fazem enquetes nas ruas, colhem informações sobre o que acontece na cidade, dão dicas de sites e segurança na internet e abrem espaço para ampla participação dos ouvintes em seus programas.

O programa de estréia (10/05) abordou o aniversário de 26 anos de Rondon do Pará e a enquete foi: “No aniversário de Rondon do Pará, que presente você dá para a cidade?”.

No programa de hoje (17/05), aproveitando o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, este foi o tema abordado, com a participação ao vivo dos ouvintes e da Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Os próximos temas escolhidos pelos jovens são:
- Consumo Sustentável
- A desvalorização da mulher em músicas e na mídia

A COMVIDA FM 104,9 acredita nesta geração de jovens comunicadores sociais que vai contra a corrente, e tem a coragem de abordar temas relevantes, dar voz para os ouvintes e expor suas opiniões.

CONFERENCIA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE FORTALECE O SISNAMA

A III Conferência Nacional do Meio Ambiente, que aconteceu nos dias 07 a 10 de maio, tendo como tema central "As mudanças climáticas globais", reuniu mais de 1.200 delegados de todas as partes do Brasil, que debateram o texto-base e ao final aprovaram cerca de 650 propostas na plenária final, concluida na madrugada do dia 11.

A programação e a metodologia desta Conferência inovaram em relação às demais, com a inclusão de Oficinas, Mostras de Vídeo e atividades paralelas aos tradicionais Grupos de Trabalho, demonstrando que é possível num evento desse porte conciliar discussão e definição de políticas públicas com capacitação e troca de experiências. Certamente as organizações não-governamentais, os movimentos sociais, os empreendedores e os setores governamentais representados nesta Conferência saem mais fortalecidos e encorajados a implementar ações de defesa do meio ambiente e de promoção do desenvolvimento sustentável.

O coordenador da COMVIDA Pr. Fidelis Paixão participou da III CNMA na qualidade de delegado representando o Município de Rondon do Pará e a região do Capim, tendo sido eleito por unanimidade no grupo regional durante a III Conferência Estadual do Meio Ambiente. Na avaliação de Fidelis nesta Conferência houve uma maior enfoque nas ações de descentralização da gestão ambiental, com fortalecimento dos Municípios como atores relevantes no SISNAMA - Sistema Nacional do Meio Ambiente.

A Oficina sobre Agenda 21 (foto ao lado) possibilitou aos participantes o conhecimento da metodologia. Surpreendeu aos organizadores o número de delegados interessados no tema. Foi uma das oficinas mais concorridas, segundo Fidelis Paixão. O que demonstra a necessidade dos Municípios e atores sociais locais encontrarem metodologias que gerem um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico e social, com a consequente preservação e uso sustentável dos recursos naturais.


sábado, 26 de abril de 2008

TAPAUÁ É MAIS EMBAIXO

José R. Bessa Freire – 20/04/2008

Dona Lourdes Normando dava aula particular em sua casa, no Beco da Indústria, bairro de Aparecida, Manaus. Às sextas-feiras, dia desabatina, ela sapecava bolos de palmatória em quem errava a tabuada. Um dia, em 1955, na prova oral de geografia, perguntou: - "Seu Bessa-Freire, qual o rio que banha a cidade de Tapauá?". Era a primeira vez que eu ouvia falar em Tapauá nos meus sete anos de vida. Arrisquei: - "Rio Juruá". Rimava. Mas não era a solução. Ela, então, me fez copiar duzentas vezes a frase: "Tapuá fica no rio Purus". Fiquei com calos no dedo, mas nunca mais esqueci.

Lembrei do método de ensino da dona Lourdes nessa semana, quando li as declarações a O Globo do Comandante Militar da Amazônia, General Augusto Heleno. Ele aloprou. Criticou duramente o Governo, dizendo que a terra indígena RaposaSerra do Sol, em Roraima, demarcada por FHC em 1998 e homologada por Lula em 2005, constitui uma ameaça à soberania nacional, que "dar terras" aos índios em faixa de fronteira é uma ameaça à integridade nacional e blá-blá-blá, blé-blé-blé.

Foi apoiado pelo coronel Jarbas Passarinho, ex-ministro da Educação da ditadura militar, que na época, defendeu os acordos MEC/USAID, favoráveis à intervenção norte-americana na universidade brasileira. Mas agora, quando se trata de terra indígena, Passarinho vira 'nacionalista', fica macho pacas, e diz que Raposa Serra do Sol é uma "fronteira viva", ocupada por fazendas produtivas, que sua demarcação ameaça a integridade nacional e bli-bli-bli, blo-blo-bló.

O chefe do Estado Maior do Leste, general Mário Madureira, vê fantasmas e com eles o risco de os índios solicitarem a separação dessas terras do Brasil, como em Kosovo, e blo-blo-bló. O Clube da Aeronáutica publicou comunicado, subversivo e insolente, intitulado "Não recue, general Heleno", onde lhe manifestou seu apoio "até às últimas conseqüências" e mandou recado a Lula: "Não se atreva, presidente, a tentar negar o sagrado dever de defender a soberania e a integridade do Estado brasileiro". E blu-blu-blu.

No plano político, a oposição aproveitou. O presidente nacional do DEM (vixe, vixe!), deputado Rodrigo Maia, o 'porquinho', divulgou nota. Nela diz que seu partido, órfão da ditadura militar, é contra a demarcação e blá-blá-blá,ble-blé-blé, bli-bli-bli. O líder do PSDB, Arthur Neto, mais discreto, discordou que um militar da ativa fizesse pronunciamento de caráter político, o que é um gesto de insubordinação, mas concordou com o conteúdo do discurso.

Até o deputado Aldo Rebelo (PCdoB) cometeu um artigo, no qual escreve que "a demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol foi um erro geopolítico do Estado brasileiro". Jura que "chegamos ao paroxismo de tuxauas barrarem a circulação de generais do Exército em faixa de fronteira". Termina, elogiando os bandeirantes, o esquadrão da morte anti-indígena e bló-bló-bló,blu-blu-blu. Os mortos da guerrilha do Araguaia tremeram em seus túmulos: "Foi para isso que morremos?".

O próprio Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão inusitada, suspendeu a operação de retirada dos grileiros, ocupantes ilegais das terras indígenas, que resistem, armados, a uma ordem judicial. A partir daí, O Globo lançou campanha histérica de desinformação, berrando em manchetes que os índios querem decepar o Brasil. O editorial "Sandice Indígena" pontificou que "dar aos índios aquelas extensões de terras" é injustificável, porque significa a "desestabilização da agricultura local".

Todos esses "defensores da Pátria" falam em "dar terras", mas ninguém "deu terras" aos índios. A Constituição apenas reconheceu o direito de os índios usufruírem os territórios que ocupam milenarmente e que são propriedade da União. Eu disse: DA UNIÃO. Os índios não podem vender as terras, nem podem dá-las como garantia para uma transação comercial, porque elas não lhes pertencem, são propriedades da União, quer dizer, de todos nós. Um fazendeiro, sim, pode vender suas terras a estrangeiros e impedir a entrada do exército, porque afinal a propriedade privada é sua. Os índios não. Acontece que as oligarquias, aves de rapina, acham que o que é público lhes pertence, interpretam que podem se apropriar dos espaços públicos.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, desmenti Aldo Rebelo. Nenhum general – imagina! - pode ser impedido de exercer suas funções constitucionais em terras indígenas, porque elas pertencem ao Brasil. Falei que já existem bases militares dentro de todas as terras indígenas de faixa defronteira, que muitos índios servem o Exército como soldados, que apesar dos jarbas e dos passarinhos, os índios se sentem também brasileiros. Contei que assisti jogo da Copa do Mundo numa maloca indígena, em tv alimentada por bateria de carro, e que os índios vibravam com os gols da nossa seleção.

- Como é que algumas centenas de índios, que amam o Brasil, armados de arco e flecha, podem ameaçar a soberania nacional? – perguntei ao radialista. Ele retrucou que alguns militares achavam que potências estrangeiras podiam manipular os índios (os fazendeiros não). Ponderei que, nesse caso, – hipotético - os militares deviam concentrar seu fogo contra essas potências - hipotéticas - e não contra índios indefesos, de carne e osso, e que, para isso, eu confiava nas Forças Armadas, que nos deu Rondon, corajoso, sensível e inteligente, defensor dos índios. Não existe nenhum argumento consistente que justifique expulsar os índios de suas terras. Por isso, o blá-blé-bli-bló -blu não se sustenta.

Por trás dessa orquestração, o que existe mesmo é a defesa de interesses particulares e não nacionais. Estão tentando confundir a opinião pública para justificar a usurpação de terras. Exigir que terras indígenas sejam – aí sim –"dadas" a fazendeiros significa privatizá-las, ou seja, entregar a alguns indivíduos as terras que nos pertencem. Guardiões das terras da União, os índios constituem uma garantia da soberania nacional, da biodiversidade e da sociodiversidade. Por que o usufruto pelos índios de terras que ocupam milenarmente ameaçariam a soberania nacional, e não assim a propriedade privada de fazendeiros, que inclusive possuem armas e poder de fogo?

Não foi FHC nem Lula que "deram" terras aos índios. Foi a Constituição de 1988 que reconheceu os direitos indígenas sobre as terras da União. Não é uma política de governo, é uma política de Estado. Rebelar-se contra isso é afrontar a lei maior do país. A lei existe para ser respeitada por todos, do contrário, vira bang-bang, faroeste, como aliás já está acontecendo em Roraima. Quatro arrozeiros se armam e desobedecem uma decisão que cumpriu todos os requisitos legais, num ato jurídico perfeito. O STF, ao recuar, estimula os grupos que reagem com violência contra a lei, quando ela fere seus interesses. Quem gritar mais alto, leva?

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que chamou o general Heleno na catraca, declarou: "a questão está superada". Superada é uma ova! Precisamos berrar a plenos pulmões que o que estão dizendo não é verdade: Tapauá não fica no Juruá. Não sepode desinformar, impunemente, as pessoas.

Proponho aplicar, sem a palmatória, o método da dona Lourdes, obrigando todos aqueles que confundem a opinião pública a escrever mil vezes a frase: "as terras indígenas pertencem à União e não ferem a soberania nacional, as terras indígenas pertencem à União e não ferem a soberania nacional". Criarão calos nos dedos, mas ficarão convencidos, se agem de boa-fé, daquilo que nós já sabemos: que Tapauá é mais embaixo.